domingo, 20 de março de 2011

Segundo o Tempo

O Tempo que corre para ver sua ilusão chegar é tão culpado quanto a noite que passa depressa para se esmaecer com o dia, e a Lua seu amor admirar. Esta, com raiva do Tempo, perguntou para ele que direitos ele tem de antagonizar sua existência à do Sol. E o Tempo, percebendo a irritação da Lua, respondeu:

- Por que, Lua, tens raiva de mim? Não entendes que está tudo além da minha vontade? Como podes gostar do Sol? Não percebes que ele te esmaece, que o brilho daquela bola de fogo deixa-te apagada no céu? O mundo foi feito assim, não fui eu quem quis que tu fosses a Lua, por mim tu poderias ser uma estrela que vivesse bem perto do Sol, assim não seria obrigado a me iludir com tua presença. Por um tempo, achei que poderia conhecer-te melhor, mas logo aprendi a te admirar, mesmo que não admitisse que tu nunca poderias ser somente minha. Como posso querer ter alguém que tenho que fazer partir e deixar apagada no céu? Por tempos corri, Lua, para ver-te chegar e vi a noite correndo ainda mais depressa para o teu brilho se perder no ar. Não me entristeço mais, não me iludo mais. Contudo, não fui eu quem te separou do Sol, mas o egoísmo deste de querer ser a maior e mais iluminada estrela da Terra. Talvez tu ames o brilho dele, mas conheces o Sol? Pois, eu digo que por ele o dia poderia durar vinte e quatro horas.

A Lua emudeceu e o Tempo nunca mais correu.

3 comentários:

Déya disse...

É. Lindo seu escrito.
De um sentimento forte!
De um amor que entardeceu...
Ou de uma poetisa inspirada?

beiJO meu..

thu disse...

seus textos me deixam sem palavras sempre...
(f)


beijos

deia.s disse...

Estava sentindo falta daqui, a forma como você escreve me agrada bastante. haha
Cada palavra, tempo e espaço dado as postagens. *-*

Ah feliz dia do blogueiro (20 de março) :x