domingo, 27 de março de 2011

Nova inspiração

Mil pensamentos, nenhuma conclusão, muitas palavras, pouca coerência. Textos se perdem em minha mente com a mesma facilidade que borboletas voam no céu. Em uma noite sem estrelas, sem lua cheia, sem te ver, diga-me o que iluminará meu caminho, quem direcionará as palavras em prosa poética para libertar-me dessa sensação nostálgica de tonteira? Não me sinto o avesso do que fui, ainda possuo os mesmos sonhos, porém, hoje, com diferente inspiração. Ver-te sorrir é como iluminar a alma; clareamento das ideias. Noite escura essa, sem ventania: nem o brilho da sua voz o vento quer trazer para mim. Esperarei. Amanhã quiçá seu olhar traduza versos meus.

sexta-feira, 25 de março de 2011

Paraquedas

Pulei em um mar de probabilidades do existir, pulei na imensidão dos pensamentos de alguém. Joguei-me e não sei em quê pensar, o medo que antecedeu a queda era tão grande, resolvi simplesmente fechar os olhos e esperar... Quando fui, agarrei um paraquedas, porém, quando se vai já existe a terra, o mar, o ar. Sou um objeto estranho em queda livre na existência de alguém, modificando todo o contexto do espaço, interagindo com o mundo. Mas eu me lancei, não tem volta, só me resta abrir os olhos e aproveitar. Contudo, não sei quando o paraquedas abrir, porém sei que quanto mais vagarosa a queda, maiores são as chances de controlá-la, pois sei exatamente onde quero cair.

terça-feira, 22 de março de 2011

Pedágio

Noite, dia torna-se. Por um pedágio passei. Se todos os pedágios fossem iguais a esse, se todos os pedágios fossem iguais a esse que cruzou meu corredor, gostaria de passar por eles todos os dias. Pedágio que traz a iluminação que o dia não tem. Iluminação que cega, olhar que fascina; guardei para mim. Guardei e de guardar tanto, tranquei a voz. Iluminação que emudece, olhar que fala... Corri e tardei. Até logo!, suspirei. Noites claras, teu sorriso.

domingo, 20 de março de 2011

Distorção

Vi um mundo em que a pobreza não existia, em que a tristeza não fazia alegoria, em que o amor para mim sorria. Vi a fumaça que exalava das rosas nas calçadas, que formava letra de canção feita pra mim no céu, e se desfazia em notas musicais nebulosas. Vi a sinceridade nos olhos das pessoas, e a mentira escorrendo pela pele. Poças se formavam. Vi que não havia vento, mas os prédios se moviam. Alguém passou correndo na minha frente, água respingou, afoguei-me em realidade.

Segundo o Tempo

O Tempo que corre para ver sua ilusão chegar é tão culpado quanto a noite que passa depressa para se esmaecer com o dia, e a Lua seu amor admirar. Esta, com raiva do Tempo, perguntou para ele que direitos ele tem de antagonizar sua existência à do Sol. E o Tempo, percebendo a irritação da Lua, respondeu:

- Por que, Lua, tens raiva de mim? Não entendes que está tudo além da minha vontade? Como podes gostar do Sol? Não percebes que ele te esmaece, que o brilho daquela bola de fogo deixa-te apagada no céu? O mundo foi feito assim, não fui eu quem quis que tu fosses a Lua, por mim tu poderias ser uma estrela que vivesse bem perto do Sol, assim não seria obrigado a me iludir com tua presença. Por um tempo, achei que poderia conhecer-te melhor, mas logo aprendi a te admirar, mesmo que não admitisse que tu nunca poderias ser somente minha. Como posso querer ter alguém que tenho que fazer partir e deixar apagada no céu? Por tempos corri, Lua, para ver-te chegar e vi a noite correndo ainda mais depressa para o teu brilho se perder no ar. Não me entristeço mais, não me iludo mais. Contudo, não fui eu quem te separou do Sol, mas o egoísmo deste de querer ser a maior e mais iluminada estrela da Terra. Talvez tu ames o brilho dele, mas conheces o Sol? Pois, eu digo que por ele o dia poderia durar vinte e quatro horas.

A Lua emudeceu e o Tempo nunca mais correu.

domingo, 13 de março de 2011

Vamos andar

Quero que chova, chovam suas lágrimas feitas de passado, que escorra a tristeza pelos seus olhos, mas que as lágrimas sequem antes de chegarem aos seus pés. Não quero que estas apaguem o que já foi, ao ver seus pés, notará que não são eles que estão sujos, mas o lugar que escolheu para ficar. Respeito a sua tristeza, porém, dê-me a mão, vamos andar, verás que o vento já não sopra com força e a nuvem feita de escuridão é pesada demais para nos seguir. Não lhe peço amor, só tempo. Não lhe peço compaixão, somente amizade.

sábado, 12 de março de 2011

Tempo

Que é o Tempo senão tortura dos que almejam, solidão daqueles que amam, conquistador da Lua, inimigo do Sol. O dia passa, o Tempo corre para ver a Lua chegar, mas em um instante para o Sol a Lua cede lugar. E o Tempo não entende o porquê de ter que assim ser, ele tenta explicar para a Lua porque faz o dia correr. Mas a verdade ouvir não quer, o Tempo sempre achou que a Lua seria sua mulher, embora ela sempre tenha amado uma estrela maior. Em silêncio, a Lua vive sua dor, não pode viver seu amor. Ao saber da notícia, os dias passaram a ser mais claros, iluminados, o Sol estava feliz, ainda não havia percebido que a sua felicidade ofuscaria ainda mais o brilho da Lua, torná-la-ia mais triste. Não percebera que embora se amem, nunca ficar juntos poderiam. E a Lua, ao saber ser correspondida, ficou com raiva do Tempo. Mas, que é o Tempo senão tortura dos que almejam, solidão daqueles que amam?

terça-feira, 8 de março de 2011

P.s.

Teu sorriso ofuscou-me a visão e fez com que as palavras da minha boca se perdessem. E eu, que já nada falo, sei falar menos ainda com você ao meu lado. E a única coisa que me restou, no dia em que te vi, foi retribuir com um humilde sorriso toda a iluminação que a noite trouxe com você ali, ao meu lado.

Nada melhor

Nada melhor do que viver de ter você, do que só resistir ao frio de uma noite estrelada. Nada melhor do que não ter pra quem ligar quando se sente tão sozinho que se cansa de ouvir os próprios pensamentos, quando não se tem com quem dividir um edredom. Nada melhor do que viver na aflição do gostar do outrem, se tudo fosse fácil, a testa estamparia sentimentos e o mundo nunca se mataria em tédio e violência. Ou o amor acabou com o mundo que conhecíamos, ou o mundo nunca conheceu o verdadeiro amor.

quarta-feira, 2 de março de 2011

Ah... realidade

A perfeição é tão ilusória quanto a ilusão é perfeita. Às vezes é melhor não saber a verdade, apenas continuar com a dúvida. Dúvida essa que não se tinha, porque se limitava a achar que a negação do questionamento era a verdade, ilusão. Boa ilusão, merda de ilusão. Ela termina, ela terminou. A verdade é que nada mudou, o fato exposto não alterou a sequência da vida alheia, apenas fez com que meu cérebro funcionasse de outra maneira, ou não quisesse funcionar mais. Talvez eu me importe da maneira que penso, talvez seja só choque, talvez seja qualquer coisa, talvez não quisesse que minha ilusão fosse real.

sexta-feira, 25 de fevereiro de 2011

Doces caminhantes

Pois que cruzaram doces caminhantes a minha fronte, e eu não beber fiz das lágrimas do seio da Terra. Bondade tanta às tempestades sobrevive ou apenas resistente é à paixão calorosa do sol? O vento, que sopra, sombras traz, mas clareia a escuridão local, que, obra da nuvem travessa, cega o tempo. O clima é assim e a vida não diferente pode ser, impossível ter tudo é. Enquanto faz calor, não pode o frio aparecer; enquanto se é rico, pobre não se pode ser. Só a felicidade foge a essa regra. Felicidade da tristeza máscara é, cair pode em instantes ou durar uma vida inteira. Quero poder usar minha máscara novamente, não porque é carnaval, mas porque a minha fronte cruzaram doces caminhantes.

Silêncio

O silêncio; das palavras, escuridão, do pensamento, salvação. Salvam-se tolos e prepotentes por estarem quietos e relevâncias o mundo perde. Quem sou eu senão face exposta na multidão, mais uma em comunhão solidária? Faço-me feliz no silêncio. Escuto, não ouço; não falo, harmonizo no sorriso doce que o diálogo pode trazer. Demoro, não falo, concordo, discordo. Com o tempo quiçá aprenderei a me dividir em duas ou três. Mas isso me assusta. Assusta-me não ser mais apenas uma, expor-me de tal forma que a podridão afloresça. Quero ser mistério, não pintura. Quero ser molde e não moldura. Ser eu e somente em mim perder-me. Talvez relevante um dia será minha fala, mas hoje não espero que essa hora chegue, na verdade, nem quero que isso ocorra, desde que minha escrita fale por mim.

segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011

As borboletas

Duas borboletas na janela estavam a admirar a beleza do jardim; uma amarela, uma marfim. Que inveja! - pensei eu ao me aproximar-, elas haviam se posto a voar. As pequenas borboletas semi-abertas agora eram grandes, o bater de suas asas deixava o colorido no ar. O o jardim agora era um mosaico de cores flutuantes, era várias telas ao mesmo tempo, um mágico deslumbre. Tão belas, tão soltas, tão libertas as borboletas; sem preocupação voam por ali ou por lá, não têm pressa de chegar, pousam de flor em flor, brincam no ar. Ah!... Como eu queria ser uma borboleta, viver apenas da natureza, ir para onde o vento me levar... 

sábado, 12 de fevereiro de 2011

Espero

Espero chegar o dia para que eu veja que não me enganei ao ver tua foto, ou quando imaginei teu jeito. Espero que essa minha expectativa seja correspondida, pois se assim o for, meu queixo terá que bater ao chão para deixar de cair ao te ver passar. E eu tenho certeza, já me terei encantado. Talvez eu até já esteja encantada, mas ilusoriamente. Conhecer-te seria mágico, seria ver a cena que tanto imaginei. E se esta for exatamente igual às que construo todo dia, talvez eu encontre mais uma vez a felicidade. Eu sei que nem sabes que essa mensagem é destinada a ti, mas tu saberás, se assim for para ser. Eu não sei explicar, sei que algo me diz que tu combinas comigo, que tu podes ser minha alma gêmea. Será? Eu espero que assim seja, eu espero!

terça-feira, 8 de fevereiro de 2011

Encontrei-lhe

Caminhava pela calçada quando percebi que a vida não poderia jamais ser boa como fora. Tinha lhe avistado. Um sorriso magnético e um olhar brilhoso, nossos olhos haviam se cruzado. Eu não sei bem por qual segundo consegui achar-me. E eu repeti exatamente as mesmas coisas a você. No passado, havíamos concordado e falado, quase que ao mesmo tempo, que a vida continuaria a passar, mas que não viveríamos verdadeiramente se não estivéssemos um ao lado do outro. E eu repeti isso. É quase automático o fato de eu tentar resgatar o passado sempre que lhe vejo. Eu quero você de volta, na verdade, eu quero a mim. Ao passar dos minutos, seus olhos brilhavam cada vez mais. Eu estava feliz, e alguém chegou. Havia lhe encontrado tarde, já não era seu primeiro copo de bebida. Seus olhos não brilhavam pela doce lembrança que ali estava a pescar. Talvez seus olhos nem brilhassem. Talvez não fosse meu primeiro copo também. Talvez nem nos amemos mais. Mas eu senti, eu tenho certeza. Senti que estava ali, senti que vivia, mesmo que por alguns minutos, mais uma vez.

Bloqueio

Um                      b    l    o    q    u    e    i    o
É                         c    r    i    a    d    o.
A                         e    s    c    u    r   i    d    ã    o
Faz                      f    u    m    a    ç    a,
Uma                    m    e    n    t    e      
Se                       a    p    a    g    a.
Tudo,                                             !    
As                       l    e    t    r    a    s
Estão                   d          i           s         p        e          r         s           a             s
No                       v    a    z    i    o
Que                     a    l    i    m    e    n    t    a
A                         a    l    m    a.

sábado, 5 de fevereiro de 2011

Fome

Como a vida ser curta e ter-se tanta paciência? Eu tenho fome, eu tenho pressa. Eu quero tudo e talvez não consiga nada, mas tudo me indica o contrário: quem tudo quer pode tudo conseguir. E eu to conseguindo. Esbarro pelas paredes brancas, algumas mancho de sangue, mas são marcas que a chuva apaga. A chuva lava, carrega, mas aprofunda os buracos. Buracos esses que não se empossam mais, apenas nos fazem tropeçar de vez em quando. Eu levanto. Levanto todo dia para andar em círculos e cair no mesmo buraco. É a rotina de mim, esta que me esquecer fazer tento, aumentando a fome a cada dia. Fome do inesperado, fome de insatisfação, fome de perfeição. Fome de vida que vale a pena ser vivida!

terça-feira, 1 de fevereiro de 2011

Lira

Uma pena ter sido eu cortada de sua vida. Quanto amor se dilacerou é horrível pensar, quanta vaidade cresceu, eu nem quero imaginar. Pra sermos um fomos feitos, mas você, você quer ser três, mil. Hoje, não me importo, quero ser um, quero ser só, quero ser alma vagante pelo deserto cheio d'água. Quero nada, mas quero tudo. Tudo que eu posso sem sair do lugar, tudo que meus dedos dançantes ainda podem oferecer. Espetáculo, cenário, imagem, vida. Quero outra vida. Só o que não posso ter é você. E daí? Se hoje eu tenho mais que a mim, agradeço a você. Não choro mais, mas não vivo. Imaginação é o meu mundo, perdição a minha lira. Eu me perdi em você, acho-me nunca mais.

segunda-feira, 31 de janeiro de 2011

Flui

Flui... Andava descalça pela calçada, de repente estava em uma estrada de terra... Flui... Os cadarços dos tênis antes desconhecidos desamarraram-se em um ato de rebeldia, abaixei para amarrá-los e já não era para a terra, que antes sujara a sola do meu pé, que eu olhava como plano de fundo, mas a água cristalina de uma praia deserta. Afundei-me... Flui... Comecei a nadar e a cada imersão da mente em água sentia-me mais observada... Flui... A praia estava cheia. Cheguei à parte rasa e comecei a correr até que não sentisse mais a água em meus pés. Não sentia água, não sentia areia, não sentia nada... Flui... Voei em queda livre diretamente para algum lugar que não sabia nominar. Sentia-me! - pensara - era verdadeiramente eu. Agora a minha vida flui, voei para o paraíso!

terça-feira, 25 de janeiro de 2011

Ser

A tristeza embala-me a mente como a vontade aguça os sentidos. Não há conforto, a mente não descansa, as teclas pensantes repetidamente cutucam-na tentando dizer alguma coisa, mas o quê?  A indecisão acelera o número de sentimentos contraditórios que pairam em minha alma. Eu não sei mais quem ser ou qual caminho seguir. Às vezes penso ser eu a melhor saída ser, porém é a fuga de mim que faria outras pessoas menos insatisfeitas. Eu não quero status, não quero riqueza, eu quero ser livre em pensamento e emoção, voar ao lado de borboletas e aterrissar em pedras grandiosas. Contudo, a realidade chama. Ainda não sou eu, sou apenas uma humana.

segunda-feira, 24 de janeiro de 2011

Medo

Acordei hoje e senti medo. O que me espera talvez não me satisfaça e o que espero nunca aconteça. Tudo depende de escolhas. Vida cruel que nos limita a viver um lado da moeda, uma face das probabilidades, uma realidade e muitas ilusões. Vida boba. Acordei hoje e senti medo. As pessoas que amo morrerão e eu não poderei querer ir junto, não poderei voltar no tempo, não poderei mais existir. Nada posso. Não posso me lamentar pelo futuro, nem me vangloriar pelo passado, não posso viver o presente acreditando que seja algo só. Meu presente sempre será o passado refletido no futuro e o futuro o presente consequente do passado. Assim, sempre estarei no mesmo lugar, e as pessoas que amo sempre estarão ao meu lado. Mas acordei hoje e senti medo. Encaro a solidão, porém não ouso perder a companhia que disfarçadamente me sustenta. 

domingo, 23 de janeiro de 2011

Escritor

A escrita é morada do espírito livre, que precisa da perfeita ficção para viver a ilusória realidade. Escrever talvez não seja um sonho, mas objetivo dos que já nada almejam; é sobrevivência íntima, manutenção do equilíbrio, duas mãos em uma estrada. Ser e não ser é transformar-se em escritor, saber tudo e nada conhecer, não ser feliz nem triste, apenas escrever. Escrever a vida que morre ou a morte que nasce, o início que termina antes de começar e o fim que inicia uma nova vida infinita. Cada história, uma vida imortal; cada escritor, uma vida atemporal.

quarta-feira, 12 de janeiro de 2011

Normalidade

Irrisório para mim é o conceito de normalidade. Tão vago e insignificante, este se torna uma classificação preconceituosa diante da diversidade da vida, da natureza, do mundo. Classificar a normalidade é limitar as experiências, os prazeres e desprazeres, as lições. Limitar-se ao normal é acostumar-se com a vida que o alheio lhe impõe, não traçar o próprio caminho e se conformar com as opções já dadas, e que são ''aceitáveis''. Limitar-se a viver a normalidade é abrir mão da liberdade, da espontaneidade. Todos os normais são apenas loucos que maquiam suas manias, privam-se do novo e no costume, na tradição, escondem-se. Normalidade para mim é falta de coragem, é pessimismo, é querer ter o controle do mundo. E o mundo não pode ser normal, pois é a anormalidade que o faz girar.

Clímax

O clímax de uma história geralmente é o conflito entre as principais personagens, mas o clímax da espera é a intensificação da ansiedade nos segundos anterioes à descoberta. O clímax da ansiedade não é a pura essência desta e simplesmente, mas a mistura do medo, da alegria, da tristeza e do anseio. Ansiar é estar em cima de um muro, pensando em descer ou não, é expectar, sugestionar, angustiar-se. O clímax é o ato de pular, é a canalização de toda a energia daquele momento, é estar preparado para o que vier ou não, é saber que tudo pode e nada, na verdade, tem-se. O clímax não é só o meio de um enredo. O clímax é o desfecho de quem espera e a máxima aflição de quem anseia. O clímax é o coração que bate sem ritmo e para nos três segundos mais importantes do mundo: no momento expectado que chega.

segunda-feira, 10 de janeiro de 2011

Vida

Sentei-me e era o fim. Fim para mim, que de nada fiz ou nada faço; apenas escrevo, escrevo o cansaço. Cansaço da vida, da busca incontida, do vento que despenteia. Cansaço de tudo, cansaço de nada, apenas mais um pé na estrada. Estrada de barro, estrada de terra, caminho cimentado, caminho de pedra. Pedras que machucam nelas os pés que pisam. Pisam por acreditar que o fim é próspero, prometedor. Prometem os que não cumprem, mas todos aqueles que cumprem um dia já prometeram. Andei e era o início. Início para mim, que de tudo faço ou fiz; até escrevo, escrevo a vontade. Vontade de viver, de buscar incontidamente, do vento que despenteia. Vontade de tudo, vontade de nada, o último passo da longa caminhada.

segunda-feira, 3 de janeiro de 2011

Desabafo

Como se diz adeus se não aprendeu sua boca a dizê-lo? Todos estão seguindo em frente, enganei aqueles que não andam para trás, expus a verdade mutante a eles e simplesmente esqueci de dizer-lhes o resultado final, a mudança. Eles continuam andando. Com peso em minhas pernas, nunca os alcanço, porém corro. Corro para dizer que tentei, para me sentir menos tola. Corro para ter discussão em uma razão: mas eu corri, eu repetia, tentando fazer-me acreditar. Misturei-me com pessoas que andam para frente, mas eu, eu ando para trás. Não sei ver o futuro, apenas o passado remoo e fico tentando bonitas palavras colocar no papel. Talvez viva mais quem vivencia curtas histórias, não só por conhecer melhor a diversidade, porém também a dor. Se esta é efêmera no mundo dos que estão atrás do progresso, que só para frente andam, ela é constante em minha solidão de início, meio e fim.

terça-feira, 28 de dezembro de 2010

Fraqueza

Se um samba a ti fosse por mim feito, que cheiro se ouviria? Se as rosas exalassem tua presença, de que cor a vida se perfumaria? Tu és o encanto do desconhecido, o par do mistério. Enquanto quase nada de ti sei, mais de ti tudo quero. Quero descobrir tuas fraquezas, não teus dons; quero tirar-te do altar e colocar-te ao meu lado. Quero a tua vergonha em meu peito, teu pranto em minha dor. E se não for assim, não te quero, pois não seria real, não seria sincero. Desculpe-me a turbidez dessas palavras, ou desta carta destinada a ti, mas se não fosse assim, não seria a minha fraqueza exposta, não seria mim, seria apenas fim.

quarta-feira, 15 de dezembro de 2010

Entrada e saída

Se a entrada é escura e a saída é clara, por que andamos pela calçada? Se o vento me dito tivesse que a dor é passageira e o amor ardia feito mármore de lareira, teria eu a janela fechado. Mas o vento já soprou; fogo atiçou e a dor passou. A dor é isso: consequência do amor que se cansa de sentir e de um dia para outro decide-se esquecer, não mais sofrer, o peito costurar e mais nada sair ou entrar. Mas se a entrada é escura e a saída é clara é porque sem o amor a vida apesar de mais triste é mais iluminada, cansada e real. O amor nos faz enxergar na escuridão, não com os olhos, porém com a ilusão. Eu não sei porque isso falo, nem quero repetir, mas palavras são palavras e jogadas ao vento são apenas pedaços de pensamentos. Se a entrada é escura e a saída é clara, eu ainda não saí, estou no meio do caminho, estou estagnada.

domingo, 5 de dezembro de 2010

O poeta

O poeta - Pablo Picasso
O poeta é um ladrão
Rouba o momento
Depois pede perdão
Fixa o sentimento
E se perde na razão
Anistias prega
brega culpado
Solidão amorosa
Sente o coitado
Sofre por tê-la,
Perdê-la não quer.
Brilho de estrela,
Sorriso de mulher.
Colher cheia
Dor alimenta
Pimenta meia,
Paixão sangrenta.
Eis o que vive
Ouviu de alguém
Eis o que escreve
Amou ninguém

sábado, 4 de dezembro de 2010

Alguém

Passando pela avenida escura, alguém vi. Pela penumbra dos meus olhos, cruzou a lua, atravessou o horizonte. Perdi o movimento, foi-se o sentimento, esqueci. Foi-se o que imaginei, o que tive e não possuí, o que sonhei e me iludi. Mas alguém eu vi, rondando o arquipélago, traçando o continente, relâmpago de repente: perdi o movimento, foi-se o sentimento, esqueci. A confusão em minha mente, contundente e serena,  grande e pequena, eu nunca destruirei. Contudo, o quê meus olhos veem não me engana. Apenas perdi o movimento, esqueci; tudo era apenas um momento, parti. 

domingo, 28 de novembro de 2010

Escrever

Cansei de inspirar tristeza e expirar frieza. Expelirei alegria e minha moradia será só incerteza. Misteriosamente, da própria alma desfazer-me-ei e, novamente, a mim o velho consumirá em tons inéditos. Crédulos acéfalos, incrédulos cefálicos. Semelhança e diferença, verdade e crença. Morte da poesia; vida em alegria. Renascimento da prosa; vida dolorosa. E soará assim, sem fim, alternas e acetinadas, límpidas e ensanguentadas. Sem escolha, apenas caminhos escuros, muros, pontes, mar. Barcos navegam, felicidade os guia, o oxigênio foi cortado, ninguém chamou a alegoria. Instante, nasceu gelo do mar distante, a claridade morreu. A felicidade congelou, quem mergulhou não se agasalhou, só a poesia se aqueceu. As palavras borbulham na mente, querem o papel colorir, mas a pintura será diferente sempre que o amanhã insurgir. A escritura é como a sinfonia perfeita, uma vez tocada, nunca mais será igual.

sexta-feira, 26 de novembro de 2010

Vida, Deus e morte

Pergunto-me por que não eu? Tanta gente com vontade de viver morre e eu, que já fui moribunda por grande tempo, ressuscitei. A melhor forma de encarar essas adversidades é através da crença do espírito evoluído. Mas, será que um espírito tão bom precisaria passar por tamanho sofrimento pra estar ao lado de Deus? Será que é algum tipo de confirmação da fé? Vejo pessoas iluminadas, que não deveriam deixar essa vida tão cedo, adoecerem. Podem me falar tudo, mas eu não concordo. Deus tem um plano especial? Talvez tenha, mas tem gente que nem Nele acredita. Cheguei a compartilhar dessa ideia, mas não foi uma boa experiência. Pessoas que não acreditam em Deus tendem a ser pessimistas, não sabem ver o lado bom das coisas, são medrosas, e isso é compreensível. E por que as pessoas optam a acreditar que Ele não existe se Sua existência não faz mal à grande parte da população? Digo grande parte porque há guerras religiosas, mas talvez não seja culpa da crença, pois nem todos brigam por isso. A nossa vida deve ser respaldada no equilíbrio, e as pessoas que levam a crença ao radicalismo estão longe de serem equilibradas. Crer em Deus não é se apegar a livros religiosos e querer seguir fielmente tudo que está lá escrito sem se preocupar com o próximo. Crer em Deus é saber os próprios limites, respeitar o que Ele criou, tratar a todos com amor, ou seja, de forma como gostaria de ser tratado, pois ninguém se odeia ou deseja mal a si mesmo. Por que não acreditar em Deus se a crença Nele nos torna mais humanos, mais otimistas? Quem crê em Deus, mesmo que Ele não exista, o que nunca poderá ser provado, como já dizia Platão, crê em si mesmo, consegue tirar forças de algum lugar e caminhar sozinho. Quem não crê em Deus se torna dependente das relações sociais, pois precisa saber que alguém está com ele, quando Deus sempre esteve. Se alguém, algum dia, conseguir me explicar o porquê da não existência de Deus ser melhor, não só tiro o chapéu, como faço questão de retificar esse parágrafo. As pessoas confundem religião com Deus, e nessa altura do campeonato, isso não deveria mais acontecer. A divisão do mundo em grandes religiões é uma trágica realidade. Pessoas lutam por algo que nem comprovado é. O judaísmo provoca guerra, o islamismo, massacres, e o catolicismo é hipócrita. Para mim, Deus não aprova nada disso. Se todos cressem em Deus e esquecessem-se das religiões, o mundo seria melhor.   Deus não precisa deixar de existir, pois Ele dá esperanças à grande parte do mundo, mas as religiões podiam ser extintas. Como podemos nos confessar com padres que são tão pecadores quanto nós? Quem lhes deu esse direito? Deus criou o mundo e os homens criaram as religiões, por isso estas são falhas. Eu acredito em Deus, e vivo bem por isso, mas não sou a favor de nenhuma religião. Aí, alguém poderia me perguntar: mas como todos poderiam conhecer a Deus sem a existência de religiões? Eu responderia: como era passada a cultura entre os povos primitivos? Através do conhecimento de pai para filho. E eu não sei até que ponto as religiões ajudam-nos a conhecer a Deus. Hoje em dia, muitos centros religiosos, de um modo geral, são comércios. E, além de tudo isso, fico pensando: há religiões e ainda existe muita gente má, cruel, que não se converte. E também existem pessoas que se tornam más, ou intensificam esse lado, por conta do extremismo religioso. É estranho, são tantas perguntas e tantos espaços vazios ainda para preenchermos, mas somente até aqui me permitirei questionar.

quinta-feira, 25 de novembro de 2010

Espectros

Cai a chuva, inunda-se a terra, afongam-se as flores; diz a verdade, acaba-se com a bondade, vão-se os amores. Somos iludidos, sentimo-nos feridos, mas possuímos as armas. Eis o que queremos, é o que vimos, ouvimos tudo diferente, força do hábito ou apenas destino? Evitamos o inevitável, tentamos curar o incurável, feitos de esperança somos. E o canto desabrochado encanta pela salvação os desesperados. Participamos de corridas sem propósito, onde chegar em primeiro é estar em um depósito de pólvora com um isqueiro. Desacompanhado está no caminho, sendo o melhor fica sozinho, sendo o último, sempre esteve. É a beleza da vida, sem regras, sem saída, só crenças e devaneios. Lutar pelo incerto, julgo do correto, pelo que supomos serem nossos anseios. Não sei mais o que escrevo, nem o que espero, tudo se constrói por espectros.

quarta-feira, 24 de novembro de 2010

Hipocrisia

Somos hipócritas e sempre seremos, aprendemos a ser assim, é o que o mundo determina; dizem-me que alguém pode não ser hipócrita, que pode viver de acordo com seus princípios, mas quem me garante quais estes são ou se suas atitudes condizem com seus pensamentos? Paremos de andar, de correr, de fazer a vida. Paremos para pensar. Para onde estamos indo? Para que ficar rico? Quem deseja a riqueza e quer extinguir a pobreza é hipócrita, só existe riqueza na pobreza dos outros e é por isso que o socialismo não pode ser utópico em um mundo real, é por isso que o socialismo não se concretiza. O desejo pelo conforto e pelo consumo é ardente. As coisas que o dinheiro pode comprar são brilhantes, saborosas, deliciosas, são aconchegantes diante de um mundo frio, só. E esse tipo de hipocrisia é só o começo. Com que intuito você estuda? Quais são suas motivações? Obter conhecimento ou ser reconhecido? Obter reconhecimento ou ficar rico? Eu não sei mais, parece que o mundo anda ao contrário e no sentido horário. É como se não saíssemos do lugar. Vamos viver eternamente assim, nesse ciclo vicioso de aparências, conquistas e riquezas. Ninguém quer se estudar, ninguém quer refletir, tudo que temos a fazer é comer, trabalhar, gastar e achar que amamos. Eu sou hipócrita, mas você também é.

segunda-feira, 22 de novembro de 2010

Sonho


Entre quatro paredes, envolvido em lembretes, histórias, bilhetes, o mundo é um. Abre-se a porta para fechar a mente, a claridade sustenta o barulho eloquente. E o que a gente inventou se perdeu, quando se lamenta já esqueceu; o brilhante desapareceu. Tropeça em um diamante bruto, sai do escudo, rola a ladeira. Chega no asfalto, lapidado, escaldado, mas saiu do rumo, da trilha, do mundo que um dia conheceu. Ninguém nunca mais o viu, aquele brilho sumiu. Anoiteceu. E toda manhã é a mesma ladainha, ele promete seu brilho à rainha, acha que é Romeu. Procura pela pedra preciosa, não entende que o brilho vem da mente iluminada pelo coração. E viverá assim eternamente ou até descobrir que o diamante é fruto de sua criação, o que vive é apenas uma ilusão. A porta não se abriu, ele nunca saiu, apenas teve um sonho. Bom!

sexta-feira, 19 de novembro de 2010

Incerteza

O que eu sinto hoje talvez sinta para sempre, essa incapacidade e não vontade de seguir em frente. Medo de tentar e fracassar ao invés de dizer que nunca me esforcei para ganhar. Eu quero, mas o medo me segura, eu queria, hoje vejo o quão fui burra. Porém, não me enganarei novamente, dessa vez andarei de cabeça para baixo, mas para frente. Porque antes de querer, preciso acreditar, nadar sempre foi preciso para não se afogar.
E se mesmo o mar for o caminho mais curto a percorrer, preciso arriscar-me para não perecer; melhor o incompleto do que o nada, melhor nadar do que parar na estrada.

Cada segundo, um pensamento.
Cada minuto, movimento.
A hora, tormento dos dias que não chegam.
Estes que cessarão o sofrimento.

quinta-feira, 18 de novembro de 2010

Sorri

Senti-me um arco-íris hoje, não porque é bonito, mas raro. As gotas que caíam do céu junto aos raios de sol desviavam feixes de luz para minha alma e eu reluzi, meu reflexo foi parar no céu. Tão singelo e esmaecido, frágil o arco-íris. Como este apareceria se as gotas não caíssem em forma de lágrima e fossem absorvidas pelo lenço que paira no céu? A tristeza é divina. A tristeza é o encontro da carne com a alma, é a libertação da felicidade. Então, hoje eu sorri: sorri porque fui triste, sorri porque sou triste. Um arco-íris apareceu hoje e só; ele se foi, perdeu-se na noite escura. Mas ele voltará um dia. A felicidade não pode ser feita só de alegria, porque ela nunca deixou de ser tristeza, está apenas fantasiada de sorriso. E, por isso, sorri.

segunda-feira, 15 de novembro de 2010

Solidão

A solidão mata, e esse sentimento não me larga. Como se as pessoas tentassem me resgatar de um poço fundo, eu não seguro em suas mãos. Eu perdi a noção entre o querer estar sozinha e o ser desconhecida. Mas é fácil entender o não ter quem compreenda o que se passa em minha alma escurecida, ninguém quer compartilhar tristeza. Penso existir pessoas que gostam de mim, mas que talvez não estejam presentes; sei porque também as considero especiais. Simultaneamente, pessoas muito próximas pedem-me passagem e tudo que vejo é uma parede, involuntária foi sua construção, mas quem colocou cada tijolo não fui eu. Sinto-me cada vez mais assim: desejando a distância e afastando a aproximação. Tenho medo de me perder em alguém, não preciso ser feliz, preciso ser só.

Desejo

Aflição é o nome do que me invade. Perto e distante, sinto-me percorrendo trilhas inacabáveis para a lugar nenhum chegar. Enervante é o mistério de teus olhos. Talvez tua boca não diga o que pensas, ou eu viva plenamente em minha idealização. Minha alma é esganada pela mente alucinada. Quero possuir-te. Sonho com teu corpo nu junto ao meu e não vejo a hora da despedida. Mata-me o mistério, mas o desejo me ressuscita, e nesse ciclo vicioso acabo como uma vivendo muitas vidas. Somente quando te entregares a mim poderei seguir em frente.

domingo, 26 de setembro de 2010

Nem tudo é o que parece

"Nem tudo é o que parece", uma frase tão clichê e incompreendida. Muitos acham que a entendem, mas poucos realmente conhecem seu sentido. Engraçado pensar como as coisas podem ser conhecidas e ao mesmo tempo não serem. É como conhecer pessoas, algumas são transparentes, outras vestem uma capa tão opaca que é impossível conhecê-las plenamente. Só há dois motivos para as pessoas serem assim, ou a alma é divina ou apodrecida. Sei que não me encaixo na ala das pessoas transparentes e antigamente costumava pensar que isso era bom; e era. Porém deixou de ser quando descobri que o que tinha dentro de mim não era mais divino ou puro, e sim sujo e realmente podre. Eu tomo doses de claridade, mas não é tão simples. Eu posso mudar, eu posso dizer que hoje em dia a sujeira não beira nem minha pele, mas as pessoas precisam ver essa mudança; e se eu for sempre opaca, mesmo que a podridão vá embora, para alguém eu sempre serei a mesma. Contudo, eu sei; nem tudo é o que parece. E isso, aos poucos, vem me conformando.

sábado, 25 de setembro de 2010

Alma desbotada

Escrever para alguém é como se ocultar em terras frias, não é fácil entranhar-se nas almas dos semelhantes, ou como se olhar em um espelho procurando uma reflexão perfeita quando ele estava quebrado, nunca se sabe ao certo o quê se passa dentro dos que nos rodeiam, olham-nos na rua, convivem conosco. Nunca se sabe ao certo o quê se passa dentro de nós mesmos. Expilo alegria, inalo tristeza. Ofereço bruscamente meus últimos prazeres, pois quero viver assim. Não quero temer perder o que nunca tive ou saborear a pobreza da felicidade. Quero continuar estagnada, da onde nunca saí, quero ficar em mim e não mais me abrir à solidão da companhia indiferente. Escrevi, olhei no espelho e não me vi, passei frio, mas fui dormir. E o novo dia clareia, o sol arde. E o que você esqueceu, se não apagou quando o leu, queimou junto com o futuro de agora, queimou junto com o meu coração e esperanças. Mas eu não sei o que se passa dentro de você e eu não me enxergo mais. Melhor assim: escrevi minha alma, libertei meu cerne, porém desbotou o papel, queimou-se.

segunda-feira, 20 de setembro de 2010

Parecia esperta...

Parecia esperta, talvez tivesse vinte anos, ou tivera feito mais aniversários espirituais do que já antes houvesse imaginado. Praga da tristeza, ânimo da filosofia. Vivia assim, ora feliz, ora triste, normal. Antes acreditava ser diferente, no fim percebeu ser igual. Destoava das outras mulheres de sua idade, não em aparência, mas em pensamento. Tinha certeza da sua diferença, pois cada ser, no seu interior, tem. Sabia que o que sentia era único, como todos que a olhavam também sentiam isto secretamente. Ó, jocosa alucinação, por que enganas a todos com tamanho prazer? Pela rua pulando alternadamente entre risos, pisos e choros, desejava desaparecer. Sumirei, mas renascerei, ela pensava. Contudo, não previu o mais provável: se fosse, não voltaria como ela mesma; e se voltasse assim, não renasceria, pois nunca teria verdadeiramente ido. Deveria ter agido enquanto estava aqui. Não percebeu que ela tinha nascido igual para fazer a diferença, e não para se tornar diferente. Continua aprisionada no corpo, porém sua alma não mais reluz. Acreditava na morte como uma mudança, e teve o mesmo fim dos que pareciam espertos, apodreceu em terra; viva.  

quarta-feira, 8 de setembro de 2010

Alguém ouvirá


Minhas costas doem, mas não é o peso da mochila que carrego que provoca tão importuna dor. O coração bate acelerado, porém não é disritmia. Esses movimentos involuntários infrequentes entregam-me perante a descoberta alheia do meu verdadeiro eu. Não tenho medo do que sou, não tenho pena de mim, e ninguém sente compaixão. Novamente, carrego o peso do meu intímo, e minha alma clama por salvação, pois o fardo aumenta a cada dia; não se sabe quando este se tornará pesado demais, não há previsões. Contudo, continuarei seguindo até que me ofereçam ajuda perpétua. Não preciso de um suporte passageiro, pois não estou passando por uma mudança. Preciso de apoio permanente, pois esse é o caminho da vida que devo percorrer.

terça-feira, 7 de setembro de 2010

Simplesmente sorria

Viver é como andar em uma caminho de rosas espinhentas, é bonito, mas dói. Superficialmente, tudo respira, todos são felizes, mas essa nem sempre é a realidade do interior de cada um. Às vezes, a tristeza acoberta suas almas, e o ar que respiram já não é mais suficiente. Se seu semblante não expressa toda a felicidade que a vida pode trazer, você simplesmente irrita alguém próximo. É como se a única expressão válida para a sociedade em que vivemos fosse a de felicidade e satisfação. A tristeza é desconsiderada, delatada; os únicos que tem direito de senti-la são aqueles que realmente sofrem, ou seja, os doentes. Mas, eu me pergunto, uma alma triste não é uma alma doente? Doença essa que ninguém vê, provocada pelos próprios cegos. E essa doença tem cura, mas esta sairia muito caro para estes, custaria a realidade. Quem não enxerga a tristeza em quem ama, nunca verá sua real felicidade. O melhor esconderijo, para quem quer viver eternamente bem na sociedade hipócrita em que vivemos, é atrás do sorriso. 

sábado, 4 de setembro de 2010

Às vezes, sorrio

Quisera eu escrever sempre obras românticas e felizes, mas eu não sei direito o que é a felicidade. Talvez esta seja como um sentimento de alívio para mim, alívio da minha alma, empoçada em águas escuras. Mas hoje as poças brilham, e as águas encontram-se tão límpidas, que refletem feixes luminosos como diamantes. Os feixes aquecem-me, trazem-me clareza. E, eu sei quem trouxe o sol. Alguma vez, pedi-lhe para que me desse um só pedacinho de toda a sua iluminação. Disseram-me não, mas que sempre estariam ao meu lado quando eu precisasse dela. Minha felicidade é como o dia, sempre chegará a noite. Entretanto, será uma noite tranqüila se eu souber que o sol nascerá ao meu lado novamente, com você.

quarta-feira, 1 de setembro de 2010

Devaneio

Acordei do sonho que não tive e entreguei minha alma mais uma vez à escuridão da minha existência. Tão repugnante, tão miserável, tão desprezível sou. Infeliz ser que pensou em nascer algum dia para ser feliz. Felicidade, ó repulsa. O que me afasta desta é testemunhado a cada piscar de olhos, a cada mensagem neural e a cada sorriso que tento esboçar através de lábios tortos, que jamais ousarão sentir novamente o desespero da escolha entre a vida e a morte. O coração bate acelerado pela decisão tomada, irreversíveis tornam-se as consequências, e tudo que resta é saborear a última divagação do meu subconsciente. O arrependimento é a consequência mais ágil e menos eficaz. Devo morrer sozinha ou confessar minha fraqueza? Eu pude sobreviver ao meu último devaneio, mas não estarei consciente ao dar meu último suspiro.

segunda-feira, 30 de agosto de 2010

Carta da minha transição

Amor se transforma em ódio de forma repentina, assim como o contrário poderia acontecer. Por que adiar algo inevitável se isso só trará dor? Por que ser fraca demais para não conseguir desistir de lutar? Não há falta de coragem em um suicídio, e sim medo de abandonar uma vida cheia de prazeres. Mas se isso já não é suficiente, por que insistir em viver? Nos escondemos de várias pessoas, mas é impossível nos escondermos de nós mesmos.  Não quero continuar tentando, e é assim que me despeço, ao som de uma música desconhecida, que não pode me enganar. Se quem você ama engana-lhe para o seu bem, em quem mais confiar? Por que creditar a alguém a confiança que lhe é exigida excessivamente em nome de uma verdade que não existe? Mais uma vez, desse mundo carnal, feito de expectativas e frustrações, despeço-me; se não for corajosa o suficiente para ir até o fim, meu espírito já terá ido. Eu desisti de viver essa ilusão chamada vida, felicidade, solidariedade, transformação. Não há culpados, nem vitímas, somente executores. Aos que me amam, peço perdão, mas acho que perdi mesmo foi a noção. Quando você ouve de muitos que é louco, começa a questionar a própria sanidade. Talvez meu problema fosse ser sã demais, e tudo isso ao meu redor pesar muito mais do que eu podia suportar. Fui embora sem ao menos acabar com o que mais desejava, sem ao menos saber até que ponto alguns me amavam, mas acredito que nem se eu vivesse por muitos anos o saberia. Não sei quando será, quando foi; sei que não tardará, não tardou. Dói.

Afogo

Eu tenho medo da noite. Não temo a sombra do dia, mas a solidão que clareia. A noite é íntima, o dia é efêmero. Sinto cada vez mais, torno-me viva cada vez menos. Cada desacordo traz uma vontade de desistir, e, cada vontade, uma busca desenfreada por uma saída menos dramática, decisiva, fatal. E, ao mesmo tempo, tudo caí sobre minha mente de uma forma incongruente. São adversidades tão coincidentes e desconcertantes, que da mesma forma que a vontade surge, ela desaparece. É um pulsar de emoções, onde em uma balança, emocional e racional, tento equilibrar o que seria o certo. A minha relatividade entra em ação, e desta eu não consigo escapar. Cada conselho que escuto é diferente, cada música que ouço parece igual, mas percebi que as interpretações sempre pendem para o que eu desejo, porém o que eu almejo entra em conflito com o que não deveria desejar. E tudo isso faz-me ver que todas as minhas noites são iguais e que todas as noites da minha vida serão assim. Eu vivo amarrada em um cabo de força, de um lado puxa-me a felicidade, de outro a realidade; vivo nadando em um mar de solidão, e me pergunto todas as noites até quando conseguirei ter forças para simplesmente não me afogar.

domingo, 22 de agosto de 2010

Chorando palavras

Simplesmente não sei o que falar, pois minha escrita é a lágrima que não deixo escorrer pela minha face. Ouço música, mas nem esta é capaz de abafar todo meu arrependimento. Alguma vez achei que era esperta demais, que fazia tudo certo, que era a rainha dos sentimentos renegados, mas eu só não tinha aprendido a sentir de verdade. Como se rasgassem uma capa que cobria meu corpo, envolvendo minha pele, sem deixar que eu me preparasse, fui jogada no mundo das emoções. E a que conclusão consegui chegar? Que a capa não existia, e que eu já tinha sentido tudo aquilo antes, só não tinha amadurecimento o suficiente para saber o que era o verdadeiro amor. Tive que me iludir com uma paixão, para descobrir que eu sempre tive um amor, simplesmente porque peguei todas as boas coisas deste e entreguei a uma paixão ilusória. Enganei-me duas vezes. Achei que a pessoa errada era a certa, e ainda construí a imagem dela como alguém que nem ela mesma conhecia. E a única coisa que tirei de tudo isso é estar sozinha, sem saber se um dia meu amor retornará.

segunda-feira, 16 de agosto de 2010

Dois lados

Marasmo
Descanso
Erasmo
Alcanço

Suavidade
Tristeza
Felicidade
Frieza

Divagação
Sofrimento
Escuridão
Tormento

Ópio
Amor
Ódio
Rancor

Pensar
Dúvidas
Alienar
Estúpidas

Rosas
Perfumadas
Pragas
Enraizadas

Tudo se fez perfeito. E foi quebrado o encanto
A ilusão. O que era doce, amargou.
E o que era água, secou.

sábado, 14 de agosto de 2010

Só pensando

Eu penso ser única, mas não sou. Eu penso estar sóbria, mas não estou. Eu penso estar na mesma, não, eu certamente não estou. Meus segredos ferem, e as manchas de sangue não são removíveis. Sinto que me perco a cada dia, ou talvez acho-me. Perco-me no sentido da minha escrita, quanto mais o tempo passa, mais longe fica meu obejtivo, meu livro. Porém, acho-me no sentido do conhecimento. É muito complicado divagar acerca de algo futuro, eu nem sei qual este é. Contudo, seja qual for, quero que seja o que eu sempre quis, e, isso, acho que sei o que é. Se vocês me entenderem, ótimo, se não, o que posso eu fazer? Se nem minha escrita condisser com minhas expectativas, que opções eu terei?

domingo, 8 de agosto de 2010

Confissão noturna

Deito a cabeça na noite clara, espero que o sono invada minha alma, mas ele não chega. Agito-me, ideias percorrem meu cérebro, palavras voam pela minha enorme massa cinzenta, meu coração arde com fortes palpitações. O que parecia perdido no nebuloso dia, encontrou-me no momento mais importuno de minha solidão. O que fazer então? Devo levantar-me e continuar a escrever meu livro, ou esperar e torcer para que amanhã eu ainda esteja com as ideias perambulando em minha mente? Como qualquer outro escritor inexperiente, ousei a acreditar que as ideias me aguardariam. Mais uma vez ilusão. Não sei com que sonhei, mas com isso eu já estava acostumada, o pior foi não mais saber em que pensava antes mesmo de libertar minha alma naquela madrugada iluminada. Contudo, aprendi. Agora, qualquer tolice que me passa pelas divagações noturnas são devidamente anotadas. E eu não sei até que ponto faço o certo, mas faço. Se o meu sonho é viver da minha própria escrita, temo que cada palavra ou pensamento meu perdido seja a chave de qualquer texto futuro, e isso me dá agonia.

sábado, 7 de agosto de 2010

Para um pai

Abri os olhos pela primeira vez e vi uma coisa que brilhava em minha frente, eram teus olhos. Tu me contagiaste com a tua alegria quando aqui cheguei, logo percebi que estava no lugar certo.
Existem vários adjetivos para te descrever: inteligente, talentoso, caridoso, amoroso, palhaço, implicante, brincalhão, mas, para mim, um dos melhores é contagiante.
Tu és tão contagiante, que consegues passar para todos tua agitação e calmaria, tua tristeza e felicidade. É como se todo o mundo fosse transparente e tu o colorisses. Tua cara emburrada é fofa, teus sorrisos preso ou inocente são doces e tua cara de bobo é simplesmente a melhor.
O sangue que pulsa em nós é teu, somos parte tua, e é por isso que queremos agradecer por ter um pai tão brilhoso e genioso como tu.
Pai, nem sempre um ourives consegue concretizar suas ideias na matéria, mas ele se adapta à joia criada. Assim, com o tempo, acaba percebendo que não queria que esta fosse de outra maneira, afinal, esta é tão valiosa quanto qualquer outra que poderia ter criado, pois possui a sua essência.

Obrigada por ser esse talentoso ourives,
obrigada por ser nosso pai.

segunda-feira, 2 de agosto de 2010

O que pensar?


Tenho dúvidas, todas as respostas são alteradas a todo o momento. O que será o certo? Acho que nunca saberei. Mas existem tantas pessoas, tantas cabeças, tanta gente. E o que pensam? Será que são também afligidas por pensamentos de escrita, ou análogos? Todas as pessoas são assim tão confusas quanto eu?




Ando e vejo pessoas

Porém não pensamentos

Quê pensam tais seres?

Possuem altos deveres?

Razão ilumina a mente

Luz mata a literatura

Avante, criatura

Sinta o prazer sensível

Além do inteligível

domingo, 1 de agosto de 2010

Pulsa

Seguro mãos que não são tuas, sofro consequências alheias, afundo-me em vão em velhas teias. Procuro abrigo, encontro no livro meu semelhante. Ele pede que a ordem se engula, perca-se entre rios vermelhos. Desassossego, sem saída, só entrada no mundo imaginário do medo. Sou eu quem te encontra em mente, alegremente sorrindo, paixão veemente. Faço do futuro uma realidade constante, onde teu semblante, o mais puro, construo na ilusão de minha imperfeição. Seguro mãos que são tuas, sofro consequências em tuas veias, afundo-me mais uma vez em tuas teias.

sábado, 31 de julho de 2010

A falta de você

A falta de você
Fez-me deveras esquecer
Seu doce encanto

O gosto dos seus gestos
Seu balançar palpitante
A suavidade de seus olhos
Seu ofegar errante
O brilho da sua boca
Aromas estonteantes
Pensamentos profundos
Mente exalante
Trazem suas veias

A falta de você
Fez-me deveras entender
O valor do recanto